roupas estilo retrô em São Paulo

Participação do Brasil na Segunda Guerra inspira nova coleção da Afer



À primeira vista Moda e Guerra são temas que parecem não ter a mínima afinidade, mas a verdade é que uma guerra, assim como qualquer outro momento de grande transformação, exerce forte influência sobre a moda, fazendo surgir novos materiais, tecidos, tendências e peças de roupa que entram para a história.

Muitas dessas transformações tiveram como cenário o Nordeste brasileiro, mais precisamente a cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, onde os americanos montaram uma base militar em 1942. Na época a cidade tinha cerca de 50 mil habitantes e chegou a receber mais de 10 mil soldados Americanos. É claro que isso mudou hábitos e costumes e fez surgir tendências de comportamento e de consumo.



De férias em Natal no final do ano passado, a estilista da Afer, Andrea Ferreira, se deparou com alguns livros que contam a história desse período na cidade. Ela ficou encantada pela história da época e se inspirou na estética dos anos 40 para criar a nova coleção da marca.

A presença das tropas americanas em Natal foi muito impactante. A cidade foi invadida por uma nova cultura do dia para a noite. Foi o primeiro lugar do país a usar óculos Ray Ban tipo aviador, a mascar chicletes, consumir leite em pó e até a beber Coca-cola!

As moças da cidade se encantaram pelos americanos e, apesar do clima de guerra dominar o mundo, em Natal o clima era de euforia. O cinema militar da cidade recebia, em segredo, convidados especialíssimos: Os próprios astros de Hollywood! Dizem que Humprey Bogart em pessoa animou uma sessão de Casablanca no teatro aberto da base de hidroaviões. Os artistas eram comissionados para viajar pelos fronts do mundo todo e animar as tropas. Bette Davis também visitou Natal e a orquestra de Glenn Miller tocou no Cine Rex, segundo o historiador José Melquíades.


Para entender as referências que guiaram essa nova coleção é preciso voltar os olhos também para o mundo no período da Segunda Guerra: No livro ‘A moda do século’, François Baudot registrou: “A parisiense emagrece, suas roupas ficam mais pesadas e as solas de sapatos também. (…) assim, a partir de 1940 está proibido mais de que quatro metros de tecido para um mantô e um metro para chemisier (exceção feita apenas para as grávidas). Nenhum cinto de couro deve ter mais de quatro centímetros de largura.”

Durante toda a década, a estética será dominada pelo racionamento de roupas, a economia de botões e outros aviamentos e a reciclagem de peças antigas. Além disso, as mulheres sofrem com o sumiço da meia-calça. Todo o nylon e a seda produzidos na Europa eram aproveitados na fabricação de para-quedas. A alternativa é maquiar as pernas e desenhar um traço fino na parte de trás, lembrando a costura da meia-calça. Essa é uma imagem icônica do período, que ficou associada à estética das Pin-ups.



O lenço na cabeça, usado pelas moças que foram trabalhar nas fábricas, logo foi incorporado ao visual feminino em todas as camadas da sociedade. Os chapéus ficaram mais escassos e aí os turbantes foram a opção encontrada para adornar as cabeças e esconder os cabelos maltratados pela escassez de produtos e de salões de beleza.

E é esse caldeirão de transformações que dá o tom da nova coleção da Afer com as saias mídi, os lenços e turbantes, o glamour old school de Hollywood e um toque de militarismo com influência tropical.

Estamos te esperando aqui na loja pra conferir tudo de pertinho! ;)